Mais um dia outra vez

abril 20, 2010

O Sol nasceu de novo… e eu de guarda-chuva
Não entendo a razão das coisas…
nem do agora… nem do depois.. quanto menos do antes..,
Segue o calendário otário nas estações
Sem frio, sem calor, sem água, sem sal…
São mais dias menos dias… dias… dias…
E as melodias… meladas… sem graça… dó, ré, lá
Sonha-se um sonho que ninguém sonhou…
Canta-se a música que ninguém cantou…
Ouve-se o choro que ninguém chorou…
pois meu pranto abafado em sonhos não quis cantar
Nasce mais um dia de Sol…
Nasce outra chance pra mim…

Nas ondas da FM

agosto 12, 2008

Daqui da minha sala, tenho o privilégio de poder ver o sol de manhã, ele nasce por entre um prédio e um campo de futebol. A grama verde e as palmeiras que balaçam são outro previlégio… o vento que balança a folhas das palmeiras trazem com ele as ondas do rádio que tocam suavemente enquanto eu trabalho…. cada música uma história, cada história uma lembraça, e lembrar as vezes dói. É a ferida ainda aberta entre os calos da mão na vida… e a vida vai tocando, como ondas de FM, frequências médias, não são altas… nem baixas… frequentemente lembrando, planejando e vivendo.. o rádio tocando, eu trabalhando e o sol nascendo.

O segredo da parede…

junho 4, 2008

Quando a gente chega em um determinado momento das nossas vidas, tudo pode parecer uma verdadeira surpresa. É quando você se depara com uma parede de 45 metros de altura e se vê incapaz de proseguir. Realmente esses momentos estão todos dias tentando atravessar nosso caminho e se estabelecer em nossas vidas. Cada parede com sua função de barrar nossa trajetória, impôr um limite em nossos caminhos.

É nessa hora que lembro do que paredes são feitas. Paredes, pobres tijolos pequenos e mal acabados, pedaços traumatizados de barro queimado cobertos da poeira do abandono da vida. Terra pisada sem valor e sem importância, deixada de canto no caminho… Paredes, conglumerados de tijolos isolodos… unidos… mas isolados… fortes… fragilizados… facilmente trincados. São fracos tijolos que formam paredes, paredes de limites pra uns… Seu porte induz ao medo, paralisía instantânea ao pescoço que se esforça pra ver seu fim… não vê.

Ainda me lembro de quando criança, mesmo que não faça tanto tempo, meu herói falando sobre colunas, sobre as vigas da casa onde morei, do concreto e das pedras. “Ah! Que dura mistura”, dura mesmo… mas tão dura… que chega chóra, quem por trabalho tem que vasá-la com a marreta e a ponteira.

Paredes, grandes e sem colunas, de tijolos isolados de barro queimado… coitada… pobre parede… Seu segredo foi desvendado, o seu medo. Constitui-se da configuração de medos e traumas, do desejo descontrolado a soberana altura, porém, nem sequer se estruturou nas colunas de um objetivo … tende a cair…. tende a cair depressa… Vou apenas toca-la, e verei seu fracasso, seu tombo. Quando ao chão se encontrar por você passarei como criança pulando e brincando.

Assim são as paredes na nossa vida, crescem quando permitimos que cresçam, e padecem quando assim queremos… Pobres tijolos isolados, ainda ontem te enchergava como um grande problema, talvez o mais difícil… hoje é só alguém que se tornou uma parede sem colunas… e eu? Posso seguir a diante.

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